O gerenciamento de identidades e privilégios é um dos pilares da segurança cibernética moderna. De acordo com dados do Gartner, até 2025, mais de 70% das violações de segurança estarão relacionadas ao abuso de credenciais ou ao mau gerenciamento de acessos privilegiados.
Para mitigar esses riscos, surge o conceito dos Four Rights to Secure Identity Privileges, que oferece uma abordagem estruturada para proteger identidades humanas e de máquinas.
Os quatro princípios são:
- Right Identity
- Right Reason
- Right Access
- Right Time
Eles promovem a aplicação de controles rigorosos e o alinhamento das práticas de segurança com as necessidades operacionais. Vamos explorar cada um deles.
1. Right Identity: Garantir que a Identidade Correta Esteja em Uso
O primeiro princípio visa assegurar que apenas identidades verificadas e confiáveis sejam utilizadas para acessar recursos. Isso inclui não apenas colaboradores humanos, mas também identidades de máquinas, como APIs, bots e dispositivos IoT.
Desafios: Identidades falsas, duplicadas ou mal gerenciadas representam um risco significativo. Um estudo do Gartner aponta que 25% das organizações têm dificuldades para manter um inventário preciso de identidades.
Soluções: Adotar ferramentas de Identity Governance, Access Management e autenticação multifator (MFA) ajuda a verificar continuamente a legitimidade das identidades.
2. Right Reason: Garantir o Motivo Adequado para o Acesso
Mesmo que a identidade seja confiável, é essencial validar o motivo do acesso. Este princípio reforça que nenhum recurso deve ser acessado sem uma justificativa clara e legítima.
Desafios: O acesso desnecessário a dados críticos é uma das causas mais comuns de vazamentos de informações. Segundo o Gartner, organizações que não implementam a governança baseada em propósito enfrentam 40% mais incidentes de compliance.
Soluções: Implementar workflows de aprovação e políticas baseadas no modelo Just-In-Time Access (acesso por necessidade) para assegurar que o uso do recurso seja condizente com os objetivos do negócio.
3. Right Access: Garantir o Nível Correto de Privilégios
O princípio do acesso adequado evita o provisionamento de privilégios excessivos. Privilégios desnecessários ampliam a superfície de ataque e potencializam os danos em caso de violação.
Desafios: Muitos sistemas ainda dependem de provisionamentos manuais, o que leva a erros humanos e a concessão de acessos além do necessário.
Soluções: Adoção de Least Privilege Access (Privilégio Mínimo) e automação na gestão de acessos para reduzir privilégios desnecessários de maneira consistente.
4. Right Time: Garantir o Acesso no Momento Correto
A sincronização temporal do acesso é fundamental para minimizar riscos. Isso significa que os privilégios devem ser concedidos apenas enquanto forem necessários, eliminando acessos permanentes.
Desafios: Credenciais e permissões não revogadas após a conclusão de uma tarefa ou término de contrato são vulnerabilidades comuns. O Gartner estima que 60% das identidades humanas e de máquina possuem permissões ativas além do tempo necessário.
Soluções: Implementar ferramentas de Just in TIme Access, monitoramento contínuo e sistemas de Privileged Access Management (PAM) que revogam automaticamente acessos expirados.
Integração para Identidades Humanas e de Máquina
Na era digital, as identidades de máquina têm crescido exponencialmente. APIs, workloads na nuvem e dispositivos IoT frequentemente têm mais acessos do que os usuários humanos. Aplicar os Four Rights em ambos os tipos de identidade é essencial para manter a segurança em um ecossistema híbrido.
- Para Identidades Humanas: Foco em autenticação robusta, revisões periódicas de privilégios e treinamento de conscientização.
- Para Identidades de Máquina: Uso de certificados, chaves de API rotacionáveis e monitoramento contínuo de comportamentos anômalos.
Conclusão
O conceito dos Four Rights to Secure Identity Privileges é mais do que uma estratégia; é uma necessidade frente ao cenário de ameaças em constante evolução.
As organizações que adotam esses princípios têm uma postura mais proativa, reduzindo riscos, aumentando a conformidade e promovendo uma operação mais segura e eficiente.
Ao implementar essas práticas, é possível alinhar segurança, desempenho e a confiança de que identidades — humanas ou de máquina — estão sendo gerenciadas de forma responsável e segura.